quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Resenha - É Melhor Não Saber / Chevy Stevens


É melhor não saber
Chevy Stevens
Editora Arqueiro
319 páginas
Tradução: Maria Clara de Biase

Aos 34 anos, Sara Gallagher parece enfim ter encontrado a felicidade. Dona de um bem-sucedido negócio de restauração de móveis, ela tem uma filha adorável, Ally, e está prestes a se casar com Evan, um homem completamente apaixonado. Porém uma dúvida ainda a perturba: quem são seus pais verdadeiros? Adotada ainda bebê, Sara sempre se sentiu rejeitada pelo pai, que demonstra uma clara predileção pelas filhas legítimas. Sara nunca sentiu que pertencesse de verdade à sua família de criação, embora sua mãe seja amorosa e gentil e ela se dê bem com sua irmã Lauren, a relação com o pai e a irmã caçula, Melanie, sempre foi complicada.
Finalmente Sara cria coragem e, com a ajuda de um detetive particular, descobre quem é sua mãe biológica. Mas em vez da alegria de conhecer sua família de origem, ela encontra um terrível pesadelo. Sara é fruto de um estupro, filha do Assassino do Acampamento, um famoso serial killer
Há mais de trinta anos o “Assassino do Acampamento” aterroriza as mulheres durante o verão. Ele estupra e mata suas vítimas. E, em todo esse tempo, apenas uma conseguiu fugir.
Toda a sua paz acaba quando essa história é divulgada na internet e o pai que ela anteriormente queria conhecer resolve entrar em sua vida de forma avassaladora. Eufórico com a descoberta de que tem uma filha, John vê nela sua única chance de redenção. E, para criar um vínculo com Sara, ele está disposto a tudo, até a voltar a matar.
Ao mesmo tempo, a polícia acredita que essa é sua única chance de prender o assassino e resolve usá-la como isca. Então Sara se vê numa caçada alucinante, lutando para preservar sua vida e a de sua filha.
É melhor não saber é um complexo retrato de uma mulher tentando entender suas origens. Uma história cheia de reviravoltas, na qual ninguém é completamente bom ou mau.

É melhor não saber escrito por Chevy Stevens é um suspense que afeta os nervos do leitor. Assim como no primeiro livro, a autora me enganou em toda a narração.

A história criada pela autora tem como característica a conversa entre a personagem principal e a psicóloga que não tem nenhum fala, mas que é importante para a confiança da protagonista. Cada capítulo é uma sessão da terapia e antes que Sarah narre o que aconteceu, ela expõem todas as dúvidas e medos, aproximando o leitor do personagem.

O enredo é perturbador, tenso, em diversos momentos fiquei em dúvida sobre a maldade do assassino. Sarah apenas queria conhecer mais sobre o passado e quando descobre a sua verdadeira origem, começa a questionar todas as decisões para saber se ela tinha alguma herança genética do pai. Será que as fortes dores de cabeça que sentia eram relacionadas ao pai? Será que explosões de raiva, a obsessão que sentia em alguns momentos significavam que ela era uma assassina em potencial?

Por meio a dúvidas e medos, acompanhados Sarah na descoberta com o passado. Quando começa a receber ligação do pai, é que a sua vida muda radicalmente. John quer construir um relacionamento, uma ligação com Sara. Mesmo não podendo ser específico em algumas perguntas, ele sempre mostra o quanto se importa, o quanto quer conhecer a filha. São nos diálogos que meus sentimentos foram ambíguos. John é um assassino. Matou e estuprou diversas mulheres, então como ele poderia se importar com Sarah? 

A cada conversa, ele mostra o quanto à presença de Sara é importante para sua sanidade, como se fosse uma válvula de escape para não assassinar novamente. Mas esse limitado relacionamento estava destruindo a sanidade de Sara. Ela está depressiva, insegura, a todo instante está brigando com o noivo, com a filha... ela não é mais a mesma pessoa. Como ela poderá ajudar a polícia a prender o próprio pai e assim retornar a sua vida?

Uma história perturbadora, cheia de reviravoltas, onde nem toda pessoa é completamente boa ou má. Mesmo conhecendo o histórico de John, não consegui sentir a maldade em seus diálogos com a filha. Em compensação, fiquei em dúvida com as atitudes de outros personagens que se mostravam bons e altruístas.

Só posso dizer que o leitor se surpreenderá com o final e ficará tenso em toda a história. A escrita da autora é ágil, e mesmo nos momentos em que a protagonista está divagando em seus próprios medos, isso não deixa o leitor entediado. Nestes momentos eu ficava nervosa, pois não conseguia imaginar como que seria o desfecho, e queria correr com as páginas.


Em comparação com o livro anterior, a história não tem cenas perturbadoras. Mas em compensação, existe certo temor, uma insegurança, um terror de que tudo pode acontecer na próxima página, fazendo com você não queira parar a leitura por nada.


Só posso dizer, preparem-se para ficarem tensos do começo ao fim, e não se preocupem, você não conseguirá ficar entediado durante a leitura com tanta reviravolta que acontece. A autora virou a minha mais nova queridinha no suspense (risos).

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